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Personalidades animais: um novo olhar para a conservação de espécies ameaçadas
Diferenças individuais de comportamento entre animais — muitas vezes chamadas de “personalidade” — vêm ganhando destaque como um fator relevante para o sucesso de estratégias de conservação. Uma matéria recente do Science News mostra como esse campo de pesquisa está ajudando cientistas a aprimorar programas de reintrodução e manejo de espécies ameaçadas, incluindo estudos desenvolvidos no Brasil.
A contribuição do Prof. Carlos Ruiz-Miranda (UENF)
O professor Carlos Ramón Ruiz-Miranda, docente do Programa de Pós-Graduação em Ecologia e Recursos Naturais da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (UENF), é um dos pesquisadores destacados na matéria. Seus trabalhos integram o estudo do comportamento animal à biologia da conservação, com foco em como características individuais podem influenciar a adaptação e a sobrevivência de animais em ambientes naturais.
Entre os exemplos citados está a pesquisa com a jacutinga (Pipile jacutinga), ave nativa da Mata Atlântica e atualmente ameaçada de extinção. Nos projetos conduzidos por Ruiz-Miranda e sua equipe, os indivíduos passam por testes comportamentais que avaliam traços como sociabilidade, agressividade, curiosidade diante de novos alimentos, nível de atividade e preferência por permanecer no solo ou nas árvores.

The black-fronted piping guan, a chickenlike bird native to South America, is among the animals showing how personality can influence conservation efforts. José María Barres Manuel/Alamy
Por que a personalidade importa?
De acordo com os estudos apresentados, essas diferenças comportamentais podem influenciar aspectos cruciais da sobrevivência, como a capacidade de evitar predadores, explorar recursos alimentares e interagir socialmente após a reintrodução na natureza. Em populações pequenas ou recém-restauradas, compreender essas variações individuais pode ser decisivo para o sucesso das ações de conservação.
Avanços para a biologia da conservação
O trabalho desenvolvido no âmbito do PPG em Ecologia e Recursos Naturais da UENF evidencia como a incorporação do comportamento individual amplia as ferramentas disponíveis para a conservação da biodiversidade. Ao reconhecer que cada animal responde de forma única aos desafios do ambiente, essa abordagem contribui para estratégias mais eficazes de manejo e para o aumento das chances de sobrevivência de espécies ameaçadas.
Matéria completa em: https://www.sciencenews.org/article/animals-personalities-saving-species.



